Diabetes sem diagnóstico: cresce o número de casos da doença

Um terço das pessoas com diabetes não sabem que tem a doença.
É o que informam pesquisadores americanos em um artigo apresentado no 79º Congresso da Associação Americana de Diabetes e publicado na renomada revista Diabetes Care em junho de 2019.

O artigo, que faz um censo da população americana, mostra que, no período de 2011 a 2014, 34.5% das pessoas que apresentaram diabetes não possuem diagnóstico. Os autores salientam ainda que a hipertensão, a obesidade e o aumento do colesterol são mais comuns nas pessoas com diabetes sem diagnóstico do que nas pessoas saudáveis. O mais grave é que muitas dessas pessoas podem ter sido acompanhadas por estes problemas de saúde por médicos que não alertaram o paciente sobre a presença do diabetes.

Além disso, complicações típicas da doença podem já estar presentes nestas pessoas. Como exemplo, a retinopatia diabética, uma complicação decorrente do excesso crônico de açúcar no sangue, foi vista em 12.3% desses pacientes, em comparação com 32.7% nos pacientes com diabetes conhecido.

Quando analisado segundo as faixas etárias, a proporção de diabetes não diagnosticado é maior nos jovens (20 a 44 anos – 41,5%) ou nos pacientes acima de 75 anos (40,4%). Chama a atenção, que na faixa etária de pacientes jovens, onde as intervenções para diminuir a glicemia tem maior chance de evitar complicações a longo prazo, há maior número de pacientes sem diagnóstico.

Causas do diabetes sem diagnóstico

Outra informação relevante do estudo é a análise das causas do problema. Em resumo, o fator de risco mais importante para ter diabetes sem diagnóstico é não ter consultado um médico no último ano. Esse fato aumenta em seis vezes o risco de ter diabetes e não ter o diagnóstico.

O estudo também verificou como tem sido o tratamento do diabetes e outros dois fatores de risco cardíacos, as concentrações de colesterol LDL e a pressão arterial, ao longo dos anos.
Graças às evidências científicas crescentes, mostrando benefício do controle destes fatores na prevenção de complicações, o controle de fato está melhorando ao longo do tempo. No entanto, é importante notar que, mesmo assim cerca de 50% dos pacientes diabéticos estão com o exame de hemoglobina glicada (o principal parâmetro de controle glicêmico a longo prazo), dentro das metas (considerando-se a meta <7%). Mais ainda, apenas 20,7 % dos pacientes estão dentro das metas de controle de diabetes, colesterol e pressão simultaneamente.

Por fim o artigo discute os fatores associados com controle inadequado destes parâmetros. Por exemplo, o controle inadequado foi encontrado com mais frequência em pessoas mais jovens, em solteiros quando comparado a casados, em pessoas com diabetes a mais tempo e em pacientes com diabetes que necessitam de uso de insulina.

Conclusão

Em conclusão este post tem como objetivo alertar que o diabetes, por ser uma doença assintomática (silenciosa) muitas vezes pode passar despercebido pelo paciente e pelo médico. Salienta também, a importância de se fazer consultas anuais para realização de exames periódicos, que é a única maneira de detectar o diabetes em pacientes sem sintomas. Por fim, embora exista o conhecimento das metas a serem atingidas para o controle da glicemia, do colesterol e da pressão, a maioria dos pacientes ainda se encontra fora dos valores desejados. Por isso médico e paciente, precisam trabalhar em conjunto para mudar este cenário. Os problemas relacionados ao diabetes podem ser prevenidos. Temos o conhecimento e as ferramentas para atingir este objetivo.

Referência: Diabetes Diagnosis and Control: Missed Opportunities to Improve Health

Catherine C. Cowie. Diabetes Care Jun 2019, 42 (6) 994-1004; DOI: 10.2337/dci18-0047

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